Dia do Ciclista lembra morte de biólogo no Eixão do Lazer

Posted on 19/08/2013

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BLOGWS_dia-do-ciclista-2_ABr_19-08-13A morte de mais de 50 ciclistas por ano em Brasília colocou para os moradores a neces-sidade de maior respeito no trânsito. O Dia Nacional do Ciclista, lembrado nessa segunda-feira, marca os sete anos da morte do biólogo brasiliense Pedro Davison. Embora condenado, o motorista atropelador ainda não cumpre pena

Brasília – “Podemos viver da saudade, mas não da dor. A gente ainda pode ensinar civilidade, contaminando as multidões”. A frase fez parte do discurso emocionado feito pela fundadora da organização não governamental (ONG) Rodas da Paz, Beth Veloso, ao encerrar o passeio ciclístico promovido hoje (18), com o objetivo de dar visibilidade à bicicleta como meio de transporte urbano e conscientizar a população por mais respeito no trânsito.

O evento comemorou o Dia Nacional do Ciclista, amanhã (19), e marcou os sete anos da morte do biólogo brasiliense Pedro Davison. Ele foi BLOGWS_dia-do-ciclista_ABr_19-08-13atropelado em 2006, aos 25 anos, enquanto andava de bicicleta no Eixão Sul, via expressa da capital federal, que é fechada ao tráfego de veículos aos domingos e se transforma em área de lazer. O biólogo estava na faixa central da via onde não é permitido o tráfego de carros. O passeio deste domingo, com 10 quilômetros de trajeto pelo Eixão do Lazer, foi encerrado no local do acidente, onde há um memorial com o posicionamento de uma bicicleta branca.

Presente ao evento, a filha do ciclista, Luíza Davison, disse estar emocionada em ver aumentar o número de pessoas mobilizadas pela paz no trânsito. A menina completa 15 anos amanhã (19), mesmo dia em que ocorreu o acidente há sete anos. “Ver essas pessoas aqui, emocionadas com uma história que para mim é tão importante, e buscando a mesma coisa que a minha família busca desde aquele dia, é muito bom”, disse.

A mãe de Pedro Davison, Beth Davison, também destacou a mobilização crescente em torno do tema, mas lamentou a demora no cumprimento da pena estabelecida ao motorista atropelador. Ele foi condenado em 2010 a seis anos de prisão em regime semiaberto e a pagar pensão à filha do ciclista. Por ser réu primário, recorre em liberdade.

“Hoje você vê mais bicicletas na rua, a discussão sobre ciclovias e ciclomobilidade está na pauta. O acidente foi uma sementinha plantada, já que o caso passou a ser um símbolo da paz no trânsito, símbolo de que a bicicleta é veículo e tem que ser respeitada e protegida pelo Estado. Mas, embora o motorista tenha sido condenado e tenhamos a certeza de que um dia ele vai pagar, é muito triste ver que sete anos se passaram e nada aconteceu”, disse.

O presidente da Rodas da Paz, Jonas Bertucci, também enfatizou alguns avanços nos últimos anos, como a diminuição do número de ciclistas mortos no Distrito Federal. Ele também citou como pontos positivos o fato de a cultura da bicicleta como instrumento de mobilidade, e não apenas de lazer, estar mais presente na sociedade e de os políticos estarem mais atentos à ideia. Ele ressaltou, no entanto, que as políticas públicas direcionadas à área ainda são limitadas.

“Os projetos ainda são muito fracionados, como se fossem para criar ciclovias para os ciclistas e não para integrar a bicicleta à cidade. Não basta fazer ciclovias, é preciso haver campanhas educativas, fiscalização e estrutura adequada, como paraciclos [suporte físico onde a bicicleta é presa em um local público]. As ciclovias também precisam ter fluidez e levar o ciclista aonde ele quer ir, como ao seu local de trabalho ou de lazer”, disse ele, que usa a bicicleta diariamente para ir de casa, na Asa Norte, até o trabalho, no Setor Bancário Norte.

Jonas Bertucci destacou que entre os problemas mais comuns no trajeto pela L1, via da capital federal em que a velocidade máxima permitida é 40 quilômetros por hora, está o fato de os motoristas passarem muito próximos à bicicleta e não darem preferência nos cruzamentos. “Faltam mais campanhas educativas para orientar motoristas, pedestres e ciclistas”, acrescentou.

Bertucci também disse que muitos pontos das ciclovias de Brasília têm problemas de rachaduras no concreto, acabamento malfeito e falta de sinalização adequada. “Em muitos trechos, a ciclovia não ficou lisa o suficiente, gerando trepidação quando se pedala”, lamentou.

Segundo dados do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), 639 ciclistas morreram em acidentes entre 2000 e junho de 2013. Em 2009, foram 42 ciclistas mortos e, em 2012, foram 31. O diretor de Educação de Trânsito do Detran-DF, Marcelo Granja, acredita a queda no número de mortos se deve a uma maior conscientização dos motoristas em respeitar o ciclista e do próprio ciclista em não andar mais no sentido contrário ao fluxo de veículos, que é mais arriscado.

Granja lembra que os equipamentos obrigatórios da bicicleta são o retrovisor à esquerda, a campainha e os refletores nos aros nas laterais dianteira e traseira. “Nas campanhas educativas em escolas, canteiros de obras e locais de concentração de ciclistas, também enfatizamos a importância do uso do capacete”, disse o diretor do Detran.

Segundo Granja, ao andar nas rodovias, o ciclista deve sempre circular pelo acostamento. Nas vias urbanas, onde não houver ciclovias, o ciclista deve andar na beirada da pista mais à direita, próximo ao meio-fio, sempre no mesmo sentido dos veículos. O motorista, por sua vez, deve manter uma distância lateral de 1,5 metro do ciclista e reduzir a velocidade ao ultrapassá-lo.

De acordo com a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), existem cerca de 159 quilômetros de ciclovias e 79 quilômetros de ciclofaixas no DF. A previsão é que até o fim de 2014 as faixas exclusivas para as bicicletas cheguem a 600 quilômetros de extensão.   Fonte: Agência Brasil/ABr – Repórter: Thais Leitão – Colaborou Ana Cristina Campos Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr Edição: Beto Coura

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